Acordo
mas deixo-me ficar deitado
absorto
enlevado
Em posição decúbito dorsal
de mãos atrás da nuca
a olhar o tecto
sem nada ver
tão pouco a pensar
porque despertei
À espera que o despertador toque
à hora para que o regulei
antes de me deitar
A obscuridade do quarto
começa a ser rasgada pelos primeiros raios da aurora
lá fora já se ouvem os primeiros chilreios
mas eu não sinto pressa de me levantar
E porque haveria eu
de sentir pressa de me levantar
antes do despertador
tocar?
Só porque acordei
antes da hora
para que o regulei?
Assim é o amor
assim é a saudade
Um despertador
que nos desperta
sem ter hora certa
estejamos ou não acordados
Vale de Salgueiro, quinta-feira, 27 de Maio de 201020120125
Henrique Pedro
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