Martelo palavras sem jeito
ao ritmo do que me vai no peito
Teclo por teclar
sem pauta nem rima
é a angústia que me anima
Sentimento sem razão de ser
sem tegumento
que se me enrola no corpo
como sarmento de videira
Quiçá sopro de vento divino
que me embriaga como vinho
a vida inteira
Sou um cálice
transbordante de poesia
uma poção efervescente de fantasia
Bebo
o meu próprio sangue
e exangue
continuo a cantar
Até que adormeço
na esperança
de tornar a acordar
Vale de Salgueiro, domingo, 13 de Dezembro de 200920120127
Henrique Pedro
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