(Para a Rosinha, o Nero, o Quim, o Hulk, Egas, Duque e Nelson)
Dedicado os meus cães
aqui solto este latido
sentido
em verso
disperso
Auuuuu… auuuuu… auuuuu!
Talvez eles preferissem que este poema
tivesse forma de osso
mas não duvido
que quando pressuroso
lhes assobiar em poesia
me ouvirão com atenção
abanando o rabo
sentados no chão
É certo que não o irão comentar
mas latirão de incontida alegria
quando eu terminar
Auuuuu… auuuuu… auuuuu!
Muito tenho aprendido eu
com o meu irmão
cão
Encanta-me a sua afectividade
a sua alegria
a sua lealdade
a sua disponibilidade
a sua ternura
a sua bravura
e a sua liberdade
Oh, como eu gostava de ser assim
forte e livre!
Poder como eles correr
sem tino
atrás das aves
e sem me perder
como quando menino
Dormir ao relento sem me constipar
poder fazer amor
livremente
à vista de toda agente
sem complexo
Ficar enleado
com minha amada
em prolongado amplexo
e latir, latir, latir
até me fartar
Auuuuu… auuuuu… auuuuu!
Não fora o caso de ter que ter dono
ou de ser deixado ao abandono
entre outra selvajaria
chego mesmo a pensar
se não valeria mais ser cão
que um vulgar cidadão
a quem nada adianta ladrar
na actual democracia
Vale de Salgueiro, quarta-feira, 22 de Outubro de 200820120118
Henrique Pedro
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