Fecho os olhos
para melhor te ver
com as minhas próprias mãos
De nada serve a luz do dia
se nos amamos à noite
na doce obscuridade da mais estreme intimidade
e em silêncio
com esfuziante alegria
interior
O teu olhar sedutor
tenho-o gravado no cérebro
e para melhor te ver
abro olhos em cada dedo das mãos
em cada poro da pele
Os meus ouvidos ouvem tudo o que tens para me dizer
diga-lo ou não
mesmo quando em silêncio
te entregas à devassa dos meus braços
ao esquadrinhar dos meus dedos
Ademais o teu corpo ganha fluorescência de tanto prazer
e acaba por iluminar o meu
Nada mais temos para ver
ouvir
dizer
apenas e só
sentir
Sentir-te
eu
a ti
sentires-me
tu
a mim
Em transe de êxtase
Vale de Salgueiro, sexta-feira, 12 de Fevereiro de 201020120119
Henrique Pedro
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