Nunca se faz silêncio
dentro de mim
Acontece, sim
por vezes
ser tão estridente o ruído
que o mundo exterior se silencia
Ou talvez seja eu que deixo de ouvi-lo
por mais que ele continue a invetivar-me
a chamar-me à luta
à disputa de troféus que não me interessam
e que jamais serão meus
Os ruídos fragorosos desta minha batalha interior
começam na surdina do passado
e ecoam
ribombando
futuro adentro
no mais estreme silêncio exterior
Amparo-me às árvores que meu pai plantou
agora que partiu
Embala-me a terra
na ausência de minha mãe
Aqueço-me à lareira da poesia
acesa de saudade
e que eterna arde
em doce, terna e triste alegria
Vale de Salgueiro, sábado, 28 de Janeiro de 2012
Henrique Pedro
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