Debruçado sobre as águas do rio
que correm para o mar
vejo-me reflectido
ondulado
a flutuar
Por entre pétalas de poesia perfumadas
que caiem das margens iluminadas
e que o meu sentimento sopra
na esperança de que o vento
salve o poema
de se afundar
Mas logo ao primeiro sopro
do meu arfar
se deforma a imagem do meu rosto
e à hora do sol-posto
já o meu corpo
é iniquidade
Melhor assim me vejo
como me desejo
tão etéreo como a Eternidade
Vale de Salgueiro, quinta-feira, 28 de Outubro de 201020120118
Henrique Pedro
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