Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Uma simples flor silvestre

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Declamei-lhe os mais belos poemas de amor
como se tivesse sido eu a escrevê-los
para ela
e ela fosse igual às mais adoradas musas

Como se eu fora Dante Alighieri
e ela Beatriz
como se fora eu Petrarca
e ela Laura
Helena de Tróia e Odisseu
Camões e Natércia
Marília e Dirceu

Nunca se abriu
nem se demoveu
porém

Nunca o menor afecto
por mim
manifestou

Até que numa linda manhã de Primavera
quando passeávamos pelos campos
num gesto inopinado
farto de tanto desdém
apanhei uma simples flor silvestre
e ajoelhado
lhe disse
arrebatado
- Amo-te!

Foi então que ela abriu os lábios rubros
num sorriso florido
e soprando um hálito perfumado
enrubescida
timidamente me segredou:
-Também…

Vale de Salgueiro, segunda-feira, 8 de Fevereiro de 201020120123
Henrique Pedro

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