Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Vento celeste

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À ida
deixo poemas
e os rastos dos meus passos
impressos no pó do caminho

À volta
já a brisa do fim da tarde
alisou as arestas dos rastos
e outros transeuntes os pisaram
e deformaram

Mas será a chuva telúrica
a apagá-los definitivamente
dissolvendo o pó em lama

Poderiam ser maciços graníticos
piramidais
erguidos no deserto
anónimos
que teriam o mesmo fim
embora mais lenta fosse a agonia

Mas os meus poemas são inconfundíveis
têm o meu rosto impresso nos rastos dos cometas
e das estrelas cadentes

Apenas se perdem na imensidão do Cosmos
diluídos em vento celeste

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 6 de Agosto de 200920120115
Henrique Pedro

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