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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Já a multidão ganha rosto

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Tempo terrível
de fome e miséria
nos espera
 
Já a multidão ganha rosto
pressuposto
de revolução
 
Rosto de fome
de raiva
e de ira
pronome de escravidão
 
Rosto do povo
massacrado pela hidra
da corrupção
e da mentira
 
E a terra estarrecida
tremerá
de novo
ao trepar da multidão
 
Vale de Salgueiro, sexta-feira, 29 de Junho de 2012
Henrique Pedro

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Entre ler e escrever

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Quem escreve lê na alma
quem lê
na alma escreve
palavras meias
 
Asas de ideias
que voam para fora do espírito
e entram espírito a dentro
trazidas e levadas
no vento do pensamento
que a seu tempo prescreve
no tempo do sentimento
 
Entre ler e escrever
é tempo de acreditar
de amar e sofrer
nada há que perder
 
Vale de Salgueiro, segunda-feira, 11 de Junho de 201220120628
Henrique Pedro

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Ainda assim…

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Ainda assim
o que mais me faz pensar…
 
É pensar
que um dia
vou ter que deixar
aqueles que a vida
mais me fazem amar
por tanto lhes querer
 
É pensar na razão de ser
de um puro amor interior
e na dor
de um dia ter que o perder
 
Será que o Criador
assim o quis dispor
para nos por a pensar
e por força de pensar
e de nos rasgar o coração
mais nos abrir a razão
e nos forçar a salvação?
 
Vale de Salgueiro, quarta-feira, 27 de Junho de 2012
Henrique Pedro

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sinto as suas mãos a bater no teclado

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Se forçoso continua a ser
a vida nos separar
suposto seria não sofrer
nem sentir saudade
tantos são os meios de comunicar
distrair
guardar segredo
quiçá
olvidar

Sinto as suas mãos a bater no teclado
apressadas
do outro lado do mar
e fico quedo
calado
com as minhas paralisadas
por as suas não poderem tocar

Ouço a sua voz com efeito estereofónico
e fico afónico
de ansiedade

Vejo a sua imagem com resolução ímpar
mas agrava-se a icapacidade
de não a poder acariciar

Respiro fundo
tento sentir-lhe o perfume
mais se acende em mim o lume
do desejo

Estendo-lhe os braços
num de repente
para um abraço
noto então com embaraço
que o espaço da separação
continua a ter a mesma dimensão
de sempre

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 18 de Março de 200920120625
Henrique Pedro

domingo, 24 de junho de 2012

A minha vida prefigura-se um estrondoso fracasso

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A minha vida prefigura-se um estrondoso fracasso
porque nada de verdadeiramente significativo se poderá escrever
ou fazer
depois dos sessenta
e nada de relevante acontecerá na Terra nos próximos trinta

Por mais concursos de poesia
campeonatos de bilhar
ou jogos de lotaria
que se possam imaginar

Continuaremos sem poder comunicar com os mortos
de forma audível
e credível
e sem ser capazes de viajar no espaço

Por mais que os justos reclamem a intervenção do Criador
vão continuar a acontecer tragédias e misérias
mentiras e falsidades
e a perfurar-se mais poços de petróleo
e minas de diamantes

Matar morrer
só porque se contiua a nascer
será o dia a dia
nos próximos tempos

A menos que eu me engane
e que quando menos se espera
estabelaçamos contacto com outras civilizações das estrelas
e se abram canais de comunicação
e redes sociais
com o Além

E que surja uma Madre Teresa de Calcutá por cada ser humano
não apenas uma por Humanidade
o que se tem revelado manifestamente insuficiente

Melhor mesmo será
até lá
reduzir-me à humildade da minha insignificância
e continuar a rezar
em silêncio
a pia oração que me ensinaram
em criança

Pai Nosso
que estais nos céu
….

Vale de Salgueiro, domingo, 24 de Junho de 2012
Henrique Pedro

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O ensaio da morte

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A ser
o Além
será uma espécie de sonho do sono
pesadelo ou felicidade
sem possibilidade de se acordar
e de retornar à realidade

É um viver etéreo
sem nascer ou morrer
um ver sem olhos
um ouvir sem ouvidos
um prazer sem sentidos
um voar sem asas
um permanente flutuar
uma vida descolorida
sem boa ou má sorte
um gozar sem prazer
um sofrer sem doer
um ermo sem guarida
um eterno refrigério

A ser assim
o Além
é uma espécie de sonho sem realidade
um mundo sem rumo
sem fio de prumo
nem norte

E a ser assim
sonhar
quando o corpo adormece
e o espírito permanece
sem suporte
é o ensaiar da morte

Vale de Salgueiro, domingo, 1 de Abril de 201220120620
Henrique Pedro

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A poesia acontece mesmo sem inspiração

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Já a Primavera se transmuda
em Verão

Já o Sol se põe
e muda de posição
deixando atrás de si
um resplendor alaranjado
que se desvanece
e me deixa extasiado
enquanto o céu escurece
e a Terra se encobre de escuridão

Já a Lua brilha cristalina
já se acende a estrela vespertina
depois outra após outra
marchetando o Firmamento
que por fim se ilumina
de cerúleo polimento
mais abrangente
Nenhuma ideia brilhante
nenhuma palavra redundante
uma rima sequer
indiciam poemas na minha mente

Nem eu tristonho
me predisponho a poetar
assim mergulhado na soledade
do fim do dia
extasiado com a serenidade
da contemplação
Sob o olhar da Lua
que em silêncio percorre o céu
e me olha
como se estivesse ali postada
ela sim
para a mim
me contemplar
e cobrir com o seu véu

Mas eu não tenho dilemas
penas para espiar
ninguém para namorar
nada de poemas
um verso que seja para escrever
apenas solidão

Nada à Lua posso dar
nada a Lua me oferece
à Lua nada pedi

A poesia acontece
por si
mesmo sem inspiração

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 20 de Maio de 201020120620
Henrique Pedro