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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sinto as suas mãos a bater no teclado

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Se forçoso continua a ser
a vida nos separar
suposto seria não sofrer
nem sentir saudade
tantos são os meios de comunicar
distrair
guardar segredo
quiçá
olvidar

Sinto as suas mãos a bater no teclado
apressadas
do outro lado do mar
e fico quedo
calado
com as minhas paralisadas
por as suas não poderem tocar

Ouço a sua voz com efeito estereofónico
e fico afónico
de ansiedade

Vejo a sua imagem com resolução ímpar
mas agrava-se a icapacidade
de não a poder acariciar

Respiro fundo
tento sentir-lhe o perfume
mais se acende em mim o lume
do desejo

Estendo-lhe os braços
num de repente
para um abraço
noto então com embaraço
que o espaço da separação
continua a ter a mesma dimensão
de sempre

Vale de Salgueiro, quarta-feira, 18 de Março de 200920120625
Henrique Pedro

1 comentário:

  1. Um amor na ponta dos dedos, um amor que viaja pelos infinitos e complexos caminhos informáticos e surge na tela do computador, sintetizado na beleza e magia das palavras.
    Um amor da nossa época, profundo e misterioso, cheio do encanto e do pavor indissoluvelmente entrelaçados à tecnologia.
    Gostei muito. Parabéns!
    Um abraço, Manuela

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