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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Há horas assim…

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Há horas em que não leio

nem escrevo poesia

mas que a sinto

ainda assim!

 

Horas em que me desperto

em que fico mais perto

de mim

 

Horas em que só falo comigo

e com o meu umbigo

em que entro por mim a dentro

e me liberto

 

Horas em que não me engano

nem me minto

 

Horas em que tanto me encanto

só de pensar

que paro de respirar

 

Horas em que não dou pelas horas a passar

em que apenas sinto as ideias fluírem

e fugirem

como aves a voar

 

Horas em que só a mim me sinto

e por tanto

me espanto

 

Há horas assim…

 

***

*

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Um quantum espiritual

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Desdobro-me

saio de mim

e assim

me vejo por fora

 

Viajo para outro sítio

permanecendo aqui

 

Salto no tempo

mudo de espaço

e vou-me embora

sempre e agora

preso a mim

enredado na ilusão

que me enleia

 

Penetro no meu próprio corpo

viajo por cada artéria e veia

nado nas aurículas e ventrículos

pulmões e testículos

banho-me no coração

 

Balanço-me nos axónios

do meu próprio cérebro

salto de neurónio em neurónio

feito ideia e afecto

homem completo

 

Sou uma ínfima parte de mim

que se não dissocia

 

Um quantum espiritual

uma centelha de bem

outra de mal

 

Uma boa sensação

que me percorre por dentro

me visiona por fora

e viaja pelo Cosmos além

mas não tem dimensão

 

***

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

(Uni)Verso

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(Uni) Verso

 

Poema irresoluto

de um só verso

 

Metro do Absoluto

timbre do Eterno

rima do Infinito

é Deus

seu autor

 

(Uni) Verso

 

Verso uno

rimado de Dor

Amor

e Virtude

que o homem ousa ler

a amar e a sofrer

 

Deus nos deu

o dom da poesia

para nos revelar

a (Uni) dade da Verdade

na multitude

a (Uni) (Versi) (dade)

do Amor

na alegria interior

 

E para nos salvar

na sagrada Uni (ão)

na divina comunhão

 

(Uni) Verso

 

(Re) Verso da Razão

que só no amor

tem solução

 

***

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

E disse Deus: Dou-te a palavra!

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E disse Deus:

- Dou-te a palavra, escreve o poema!

 

E a primeira palavra que Deus nos deu

foi a palavra “palavra”

inscrita no gesto

e no olhar

que apalavraram o primeiro verso

lavraram o primeiro poema

o primeiro convite a amar

 

Até que ao sétimo dia

Deus descansou

e nos deixou sós

de mente desperta

aprendendo a falar

a ler e a escrever

 

Para que seja o poeta

com poesia e alegria

a despertar o espírito

que dorme em nós

 

***

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Só entende quem sabe bem amar

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Eu ando a sonhar, sem acordar

E é de mil sonhos que me sustento

Com a voz do vento, todo o tempo

Nunca paro de por ela, chamar

 

Assim levado nas asas do vento

O meu amor é um triste lamento

Perde-se nas ondas do alto mar

Só entende quem sabe bem amar

 

Mas ela porfia de mim fugir

Apenas porque não me tem amor

E por isso, nem me quer ouvir

 

Ainda assim canto minha dor

Para a mim mesmo me iludir

Com poemas tristes em seu louvor

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Além, naquele astro ali

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 Ali
 naquele astro além
 que não é estrela
 nem planeta
 nem cometa
 e já foi ventre de minha mãe


 Além
 naquele astro ali
 tão longe de tão perto
 onde nada é errado
 nem tudo é certo


É lá que eu moro
e me demoro
por via da poesia
sem que diga adeus
nem diga nada a ninguém
de nada me arrependo

É ali que eu ando
amando
e sofrendo
a mando de Deus
 
Vale de Salgueiro, sexta-feira, 20 de Novembro de 200920120817
Henrique Pedro

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

As virgens de Mahatma Gandhi

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Ó Mahatma Gandhi

explica-me!

 

Que proveito se poderá tirar

de dormir

com lindas mulheres nuas

por uma, duas

três e mais luas

ao luar

sem não lhes tocar?

 

Em que orgia

de espiritualidade

se mergulha

de verdade?

 

Será o sexo luta de morte

um matar e morrer

e por isso devemos aprender a amar

com serenidade

se o homem novo queremos ver

em nós

nascer?

 

Será possível foder

sem resfolegar?

 

Qual a virtude

da virgindade?

E a vantagem da castidade?

 

Será que o espírito se torna mais saudável

espectável

leve

e livre?

 

Não poderá haver santidade

na sexualidade?

 

Ó Mahatma, eu não sei!

Explica-me

 

A seu tempo aprenderei

para ensinar

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 14 de Outubro de 201020120816

Henrique Pedro

terça-feira, 14 de agosto de 2012

É a minha alma, que à tua, eu quero dar




Quando te abraço

em terno

etéreo

eterno amplexo

é a tua alma

que eu quero estreitar



É a minha alma

em reflexo

que em definitivo

te quero entregar

quando me abraças

em amoroso abraçar



É a tua alma

que eu quero ver

e é a minha alma

que eu quero que tu vejas

quando nos olhamos

com os olhos de amar

quando te desejo

e tu me desejas

ardentemente



É a tua e a minha alma

que se querem congraçar

para sempre

qual pétalas de flor

em perfeito congresso

de sexo

e de amor




Vale de Salgueiro, quinta-feira, 12 de Novembro de 200920120814
Henrique Pedro

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Loucuras de amor que não versejo






Desnuda-se, serena e silenciosa

Recobrindo-se de diáfano fascínio

Contemplo-a, impaciente, por desígnio

Certo de que se entregará, pressurosa



E é deliciada e deliciosa

Sorrindo, cúmplice do meu raciocínio

Que me leva a perder o autodomínio

Sempre sensual, permissiva, amorosa



Tomo-lhe o corpo, que afago e beijo

Faz-me o mesmo com gritos de alegria

Entrelaçados de prazer e de desejo



Entontece-nos a mesma afrodisia

Caímos em loucuras que eu não versejo.

Oh! Descrevê-las, seria pornografia!



Vale de Salgueiro, 14 de Maio de 200820120813
Henrique Pedro

domingo, 12 de agosto de 2012

É sempre de mim que falo

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 Quando escrevo poesia
 e lanço meus versos ao vento

 Por mais que me esconda ou disfarce
 me liberte ou embarace
 é de mim que falo
 a todo o tempo

 De mim a mim
 e de mim aos outros

 Deixando que os olhos e os ouvidos do mundo
 e as aves do céu
 tomem as minhas palavras
 e distorçam meus versos e rimas

 E gerem novos sorrisos
 novas ideias e afectos
 capazes de enxugar lágrimas e angústias
 de aliviar a dor
 de viver e de ampliar a alegria
 de acreditar num único amor
 numa só forma de amar

 No qual todos nós
 poetas ou não
 acabaremos um dia
 por nos reencontrar  

Vale de Salgueiro, terça-feira, 12 de Janeiro de 201020120812
Henrique Pedro

domingo, 5 de agosto de 2012

Se peco de amor contigo

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Se peco de amor contigo

procuro no pecado

a virtude

 

Tomo a via do amor

para a verdade

o prazer que induz

espiritualidade

 

Jamais o amor gera dor

e a virtude ilicitude

 

Múltiplos são os caminhos da vida

um só o sentido desta paixão

 

O sentido único da iluminação

 

Vale de Salgueiro, quinta-feira, 25 de Março de 201020120805

Henrique Pedro

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Hoje, vou limitar-me a amar

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 O vento parece de feição
 o Verão vai quente
 e o mar está chão

 Vou surfar o dia inteiro com a minha amada
 deixar o corpo ao sabor das ondas
 abandoná-lo ao sol
 na areia
 sem outra ideia

 Hoje vou limitar-me a amar
 sem me limitar

 Vou deixar o sonho
 enrolar-se na nudez
 da fantasia

 Sem me importar com a nortada
 a maresia
 a timidez
 da minha amada
 a poesia

 Depois se verá
 ao certo
 se liberto
 despertei
 ou se me limitei
 a me limitar

 a amar
 
Vale de Salgueiro, sábado, 5 de Julho de 200820120803
Henrique Pedro

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Sempre escrevo poemas de amor

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Se rio
se me revolto
me aborreço
canto e assobio
porque ando apaixonado
e escrevo

Se dou asas à imaginação
faço uso da Razão
ou me angustio
com apertos no coração  

Se expresso a minha dor
ou a minha alegria
minhas glórias e desditas
a dor ou a alegria de outrem
por palavras escritas
são poemas de amor
que escrevo
por bem  

Só por amor escrevo poesia
mesmo se o faço com enlevo
por pura fantasia  


Vale de Salgueiro, segunda-feira, 23 de Março de 200920120802
Henrique Pedro

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Um amor simples, simplesmente

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 Sem tempo
 nem vento

Aberto
discreto

Silencioso
delicado
deslumbrado

De sorriso suave
solidário
comprometido
sem se comprometer

De caminhar amoroso
de mão dada sem dizer nada
e tudo dizer

De desfrute com delite
do leito conjugal
na obscuridade da sensualidade
serena
do corpo e da mente

 De amar caloroso
 terno
 eterno
 fraternal

 Delicado como uma flor
 mais forte que a dor

 Amor simples
 simplesmente

 Simples amor  



Vale de Salgueiro, terça-feira, 31 de Julho de 2012
Henrique Pedro