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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Flores e lágrimas de alegria

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Ele trouxe flores

 

Ela soltou lágrimas de alegria

que lhe rolaram pela face

e se perderam nas pétalas

misturando perfumes

e diluindo queixumes

 

Ambos soçobraram num abraço

da reconciliação

num beijo de paixão

num mar da poesia

 

Afinal foi fácil desatar

tão apertado laço

de afastamento

tão triste dilema

 

Bastou por fim ao embaraço

soltar o vento

da verdade

e voltar a amar

 

Ele

chorou por dentro

este poema

 

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Não me lembro de ter nascido

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Não me lembro

do acto em que nasci

do parto de minha mãe

nem por quem

fui assistido

 

Não me lembro de ter sofrido

ou gozado

rido ou chorado

muito menos donde vim

da razão de estar aqui

ainda assim

 

Não me lembro de muito que já vivi

amei

e sofri

a vida ainda me sorri

tenho mais para esquecer

 

Eu gostava, sim, de me lembrar

de tudo que se passou

do fui e do que sou

e sem fantasiar

 

Eu gostava, sim, de me lembrar

de tudo que vivi e tenho para viver

mesmo depois de morrer

 

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domingo, 9 de setembro de 2012

Enquanto há morte há esperança

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Mergulho no passado

nos tempos em que fui feliz

o meu coração sente

e me diz

desolado

que o presente

não é futuro

 

Antes é perjuro

farsa

desesperança

desgraça

e viver é sinónimo de morrer

 

Mas enquanto há morte

há a esperança

de que nos podemos salvar

e vir a reencontrar

em amoroso devir

 

Esperança de viver

antes e depois de morrer

 

Não importa viver

para sofrer

e penar

nem morrer

para deixar de viver

 

Há que viver e acreditar

 

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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Eu não espero nada, nem ninguém

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Eu não espero nada

nem ninguém

nem mal nem bem

boa ou má sorte

nem mesmo a morte

 

O mal é estarmos sempre à espera

de algo

de alguém

que nos valha

ou simplesmente nos faça bem

mas quem espera desespera

 

Eu não espero nada

nem ninguém

tão pouco sentado

ou acomodado

 

Porque tudo espero

ainda assim

de mim

e de toda gente

e nada me é indiferente

 

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

No imo de mim

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No silêncio absorto

de meu cérebro

no sopro sáfaro

de meu coração

o meu “eu”

é ainda embrião

 

No âmago do meu corpo

ébrio

a minha alma se acomoda

e se acalma

 

No imo de minh'alma

o meu espírito

espreita

 

O corpo me prende à Terra

ao Cosmos

e aos meus

a alma me liga ao Além

 

O espírito me envolve

e devolve

a Deus

 

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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sempre noiva, eterna menina

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De tão formosa parece divina
Sempre noiva, radiosa rainha
Tantos são, sim, os seus apaixonados
Tão belos os príncipes encantados!

Não saber quem amar é sua sina
Que dela faz a eterna menina
Actriz de mil noivados adiados
Fautriz de muitos mais sonhos frustrados.

Seus amores são como os poemas
Ardentes diademas de dilemas:
Optar por um deita mil a perder!

Lindo sonho de amar e sofrer
Assim deverá ser até morrer
O seu viver de amor e de penas
  
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domingo, 2 de setembro de 2012

Mata-se e mais se aviva a saudade

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À chegada…

 

Ela espera-me … ansiada

 

Eu procuro-a … impaciente

 

Eu vejo-a … ela vê-me

no meio de toda gente

 

Abro os meus braços

ela abre os seus

 

Ela corre … eu corro

julgo que morro … ela que morre

 

Estreitamos um abraço

levanto-a do chão

o seu coração bate

tanto quanto o meu

 

Olho-a nos olhos

olha-me nos meus

 

Colamos os lábios

deliramos um beijo

exalta-se o desejo

 

Voamos Cosmos fora

sem sair da cama

por todo o fim-de-semana

 

Soltam-se os lábios

amornam os desejos

aprazam-se novos beijos

 

Abrem-se os braços

abre-se o espaço

para próximo abraço

 

À partida…

 

Fica parada … a olhar-me

volto-me para a ver

 

Só a vejo a ela … a mais ninguém

na hora da despedida

 

Grito-lhe que a amo

grita-me que também

acena-me

digo-lhe adeus

seus pensamentos são os meus

 

Ela queria vir sentada

a meu lado

no avião

 

Preferia eu ter ficado … com ela

colado ao chão

 

Conclusão…

 

Mata-se

e mais se aviva

a saudade

nas idas e vindas

da ansiedade

 

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