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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Noite de núpcias

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Ouvi

de um sibilino espírito de virtude

que etéreo habita o mítico templo do conhecimento

esta sábia sentença, que assumi como fadário:

«Só o fogo do amor vence o frio da vida terrena,

mantém o corpo ágil e livre do envelhecimento torpe

e rasga com luz a sombra da noite da morte.»

 

Deitei-me nu

com a minha amada desnuda

virgem

imaculada

em alvos lençóis de linho cru

da cor da geada

em noite escura e fria de Inverno

à procura do fogo eterno

da felicidade

 

Logo ao primeiro beijo se inflamou o desejo

como se bebessemos vinho

e os lençóis tecidos de áspero linho

se converteram em fina e rendilhada cambraia

e os corpos enlaçados em suave movimento

se iluminaram na obscuridade do aposento

da mais doce e sublime luminosidade

 

Acendeu-se a chama do amor no frio da noite escura

almas envoltas em vapor de ternura e paciência

sublime ignescência do fogo que arde e não queima

felicidade que não tarda e perdura

por tempo indeterminado

 

E os alvos lençóis de linho da cor da geada

transformados logo ao primeiro beijo

na mais fina e diáfana cambraia

ficaram rendilhados por fios do meu sémen quente e incolor

e pela cor carmim do sangue rosa da minha amada

produto do nosso amor e desejo ardente

 

E o fogo do amor daquela noite de núpcias sentida

gravou para sempre nas nossas almas e mentes

com fios de ternura, sémen e sangue rosa carmim

o destino e boa sorte que perdura pela vida

e que assim sobrevirá feliz para lá da morte

 

***