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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Poema ao desfazer da barba

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Muitos dos meus poemas

afloram frente ao espelho

quando me barbeio

 

Enquanto a vista se fixa em cada pêlo

que a lâmina vai cortar

eu

no meu eu me enleio

em pensamento

nos morfemas e lexemas

em poético devaneio

 

E lamento

quantos se pelam

e depilam

sem apelo

nem agravo

capazes de matar

e morrer

 

Quando há na vida

tantos poemas

e dilemas

para cortar

e recortar

 

Ou simplesmente

para deixar crescer

 

*****