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sábado, 13 de outubro de 2012

Rosas remanescentes

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A quinze de Outubro
dia do teu aniversário
caminharemos de mãos dadas
gozando os derradeiros raios de sol do dia
que inunda o espaço de poesia
neste mês de Brumário
 
Raras rosas das roseiras raras
de que trataste com enlevo na Primavera
e que continuam a “rosir”
ainda iluminam de cor os canteiros
como se fossem sorrisos permanentes
 
A lembrar-nos que a vida
será um amor eterno
se assim quisermos
mesmo que saibamos
que caminhamos
para o Inverno
e já não somos adolescentes
 
Também já as romãs sorriem
de contentamento
desafiando os ouriços nos castanheiros
mas só os pinheiros e as oliveiras
continuam folheadas
porque o seu verde é perene
 
Todas as demais árvores
já se despedem das folhas amarelecidas
sem lamento
entristecidas de tristeza estreme
porque em breve serão despidas
pelo vento
 
Como os diospireiros surreais
já completamente desnudados
feericamente emoldurados de vistosos dióspiros
encarnados
carnais
condenados a apodrecer
dilacerados pelos pardais
como se fossem inconsequentes suspiros
dependurados ao tempo
teimando em não morrer
 
Mas eu quero que este efémero momento
de amor aberto
e suave alegria
fique melhor registado
que numa máquina fotográfica
ou numa câmara de cinema
 
Prefiro usar o dom da poesia
e gravá-lo em poema
que para lá da imagem e do som
melhor regista afecto
e sentimento