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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

À porta da felicidade




Montei tenda num descampado
ermo silencioso
isolado
além
onde também me disseram
que não morava
ninguém

Mas sempre ia perguntando
a quem passava
se seria ali
que a felicidade
de verdade
morava

Nada
nem ninguém me garantia
que seria ali
que ela residia
embora por toda a parte
fosse muito procurada

Um jovem que de tão apressado
me pareceu feliz
e bem informado
tão pouco pára
sorri
sôfrego
e nada me diz

Mas um velho trôpego
que caminhava devagar
porque já trazia a vida morta
acabou por se sentar
e me dizer
que se eu queria saber
primeiro
teria que bater
à porta

E acrescentou
certeiro
fixando os olhos em mim:

«Se ninguém responder
mais certo será
morar
ali
a ilusão

Mas se de dentro responderem
e disserem que sim
então
seguramente
ali não é
não»

E mais me disse o velho
por fim
antes de partir:

«Com um pouco de ventura
encontramos a felicidade
em qualquer lugar
mas preciso sim
é investir
enquanto a sorte dura»

Olhei à roda
e vi
uma porta entreaberta
de que antes me não dera conta
e entrei
com a confiança
de um aprendiz

Na esperança
tonta
de que naquele descampado
ermo
silencioso
isolado
estaria destinado
a ser feliz

1 comentário:

  1. Estimado Amigo e Ilustre Poeta Henrique Pedro,
    Mais um belo e profundo poema, lido com toda a atencao me revi em Portugal, local que ja foi agradavel de se viver e onde reinava a felicidade.
    Encontro-me na Tailandia, pais este que me enriquece em cultura e felicidade.
    Abraco amigo

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