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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A verdade nua e crua




Não!

Não és tu que voltas
nem é a ti que reencontro

É a minha memória
que ainda te não deitou porta fora
que ainda te não pôs na rua

A ti nunca te conheci
assim
como
hoje
és

Nem eu sou o que fui
outrora

Hoje sou outro
sou diferente

Tu és o passado
eu sou o presente

Nós nunca nos conhecemos
e dificilmente nos voltaremos a conhecer

Nem vamos reiniciar
nada de novo
não importa chorar

Agora
és só actriz secundária de um filme mudo
de reposição
em que o matraquear da máquina
manual
é o bater surdo
do teu coração

Um filme que revejo
na pequena sala de cinema
da minha lembrança
mergulhada na obscuridade
da solidão

Pediste-me a verdade
sem fantasia

Dou-te a versão
nua e crua
da poesia





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