Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Esta democracia é uma cabra



Este poema é um terramoto
com epicentro no mais fundo do ser
português
nas fossas de Mindanau da alma
pátria

É um maremoto
uma escalada do Monte Evereste gelado
uma travessia do deserto do Sahara
um tsunami de angústia
um polvorinho de raiva e revolta

É o uivar do lobo esfomeado
o escoicinhar de cavalo capado
o relinchar de égua no cio
mio de mil gatos
par de sapatos
gastos

Este poema é a frustração
de quem sofre com a Nação
assim destroçada
traída
sem saída
abandonada

Este poema é um despertador
de dor
um alertar do Povo
a gritar-lhe que não deve deixar-se iludir
mais
por demais que o Regime
o mime
de novo
com promessas e patranhas

Porque esta Democracia é uma cabra
uma cobra aninhada no seio da Nação
uma ninhada de ratos
a devorar-lhe as entranhas
e o coração

Já nada sobra
só ilusão!

Esta Democracia é rotunda
redonda
sem ponta por onde se lhe pegue
uma filha da mãe
que paga a quem não deve
e rouba a quem nada tem

É uma arreata
que zurze e ata os cidadãos à nora
pela rédea

É uma tragicomédia
insensata
uma pilhéria
uma gargalhada sonora

prenúncio de revolução

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Rendo-me ao vento





Alfobre de sonhos sem tempo
rendo-me ao vento

Não sei que substância é a minha
que força move o meu pensamento
que sentimento me comove

No meu cérebro bailam dilemas
que florescem em poemas
garantes da minha glória

Sinto medo de os perder
sem outro meio para os escrever
que não seja na memória

Medo de me perder a mim

que não tenho história

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Separação


Tanto nós nos amávamos
tão próximos tínhamos os corações
o seu bater era tão alegre e doce
que partilhavam veias
artérias
…e sangue
se necessário fosse

Tanto nós nos amávamos
tão próximos tínhamos os corações
que sentíamos os mesmos desejos
vivíamos as mesmas emoções
comungávamos das mesmas ideias
enredados nas mesmas teias
tecidas de aventura
sonho
fantasia
e futuro

Tanto nós nos amávamos
tão próximos tínhamos os corações
que no mais leve pensamento
percebíamos a presença do outro
ouvíamos o que cada um dizia
e por maior que fosse a lonjura do afastamento
e mais forte fosse o vento
viesse ele donde viesse
era o seu perfume que trazia

Tão próximos tínhamos os corações
que bastava um sussurro para ouvir
um arfar para sentir
um gesto
um toque
um pestanejar
para despertar o desejo
e ter ensejo de amar

Aconteceu a separação porém…
tão absurdamente…

Os corações separados estão agora tão afastados
que morando no mesmo lugar embora
mais estreito e incómodo é o espaço agora

Somos incapazes de nos ver e sentir
mesmo se nos cruzamos no passeio
e nos olhamos olhos nos olhos
e nem gritando impropérios
nos faríamos ouvir

Os corações separados estão agora tão afastados
que morando na mesma rua
vivemos em mundos diferentes
e é tão fria a indiferença
que apenas sentiríamos a solidão
se vivêssemos os dois sozinhos
no mesmo mundo
sós e vizinhos

Os corações separados estão agora tão afastados
que apenas partilham a mais fria indiferença
e é tão remota a hipótese de retomar
tão infinita impossibilidade

que nem capazes somos de nos odiar

terça-feira, 28 de maio de 2013

Contemplação



Sonho acordado

Deixo-me levar pelo vento
no voo do tempo
desasado

Cada momento presente
fecha-se em passado
e abre-se em futuro

Rasgo a bruma
da ilusão
escrevo poemas de espuma
inseguro
e voo
fascinado
com a leveza da pluma

O sonho é a próxima realidade
é a esperança
o pão da boca
a procura da verdade
o sangue do coração
o ar do espírito
a água da Razão

Deus só não nos deu asas
para que sejamos nós
a aprender
a voar

E a acordar

na contemplação

segunda-feira, 27 de maio de 2013

As mais belas poesias não as escrevem os poetas



As mais belas poesias
não as escrevem os poetas
e todos as podemos ler
que o mesmo será dizer
ver, ouvir e sentir

Como sejam os poemas Flor
Sorriso
Beijo
Abraço
Arrulho de rola
Nascer do dia
Confiança
o próprio drama Dor
e acima de todos
a doce melodia
Criança

São poesias escritas na linguagem do Amor
com rima rica de alegria
e versos da medida da Esperança

Poemas que estão publicados
um pouco por todo o lado
para serem lidos com o coração
tendo a verdade por diapasão
e muito, muito, cuidado
para que não sejam adulterados

As mais belas poesias

não as escrevem os poetas

domingo, 26 de maio de 2013

Como se amar não levasse a lado nenhum



Deixo-me ficar mudo
e quedo
parado
especado
ensimesmado
a ver a chuva cair
sem tão pouco a sentir

O meu pensamento anda por longe
tão por dentro
de mim
que nem a mais forte rajada de vento
me faz acordar
e regressar
à realidade
comum

Como se eu fosse um monge
um místico apaixonado
resguardado da tempestade
do tempo
não do trovão
do seu coração


Como se amar não levasse a lado nenhum

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Era pelo Estio que se perdia a virgindade




Recordo aquele dia de Estio deleitoso
perfumado de feno, pinho e alecrim
o recanto umbroso do Tâmega idílico
escondido entre fraguedos

Aquela tarde sem fim
em que fui Fauno por encanto
e a minha doce companhia
uma Dríade lendária
quando sem sombra de mal
nos entregámos a inocentes
e aquáticos folguedos
sem maldades ou medos

Recordo as fugas simuladas
por entre giestas e fragas
as dissimuladas perseguições
o bater aberto dos corações
a ternura dos abraços
o beijo apaixonado
até então nunca experimentado

E recordo o momento mais ardente
em que nos demos por vencidos
tomados de paixão emergente
já completamente despidos

Virgens?!
… éramos os dois..
...E depois!?

Ninguém se deu conta
que naquela tarde de Estio perfumado
em que o amor desponta
sadio
perdêramos ambos a virgindade
levada para sempre
na limpidez da água corrente

Tudo ocorreu com naturalidade
com a correnteza da verdade
na mais pura e santa inocência

Não houve choros
nem ranger de dentes
nem palmas
nem traumas
ninguém levantou a voz
muito menos nós
a tal fizemos referência

Era pelo Estio
nas águas do rio da mocidade
que se perdia
a virgindade

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Eram tantos os beijos




Eram tantos os beijos
tão deliciosos
e amorosos
os abraços
tão apressados os passos
dos desejos
que ainda hoje
me apetece
voltar
a viajar

Embora
saiba
que ela
já não me espera
nem estará lá
para me receber

Ainda assim viajo
parto
e regresso
a toda a hora
sem querer
a fantasiar
confesso
sempre na esperança
de a reencontrar

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Apalpando a alma




Afago a cabeça

Mimoseio-me
numa tentativa de me encontrar
mas não me encontro
nem é a mim que tacteio

Não me enxergo
no crânio escalvado
acabado de sair do barbeiro

Mas sinto uma sensação
suprema
que me percorre o corpo inteiro
me pacifica
e me acalma o coração
embora esprema
a Razão

Transfiro-me para as cabeças dos dedos das mãos
com que apalpo a caixa craniana
em que se aloja o encéfalo

Sinto-me
no curto-circuito que se estabelece
entre a pele dos dedos
e a Mente
sucedânea

E dá-me prazer ficar assim
por momentos
a andar à roda
atrás de mim
como pescadinha de rabo na boca
de olhos vendados
a jogar comigo
à cabra-cega

Que melhor prova posso querer
da existência de mim
se é a minha alma
que a si própria
se apalpa?!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Amo e ando apaixonado




Amo
e ando apaixonado
o que soa
a contradição

Melhor será
deixar passar
o tempo

Contemporizar
amar
e paixão

Esperar
que mude a direcção do vento

Deixar
que seja outro
o bater do coração
e não
o que simplesmente se deseja

O amor
douto
não tem tempo

Mesmo pura
a paixão
nunca é definitiva

Nem dura toda a vida

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Aponto-lhes um poema à cabeça e disparo




Agora é que eu acabo com eles
com poesia
e de vez

Aponto-lhes um poema à cabeça
disparo
e pronto
tudo se consuma
em alegria
talvez

Que descansem em paz
e sem dor
os imundos senhores do mundo

Dissolvam-se-lhes os ossos no tempo
dilua-se-lhes o sentimento
na morte
triunfe o vento
do amor

Com um pouco de sorte
a liberdade continuará a soprar
sobre a Terra
enquanto houver ar
para respirar
pão para comer
poesia para compor
e sonhos para sonhar

E os maiores
são tão pequenos como nós
e só Deus é grande

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Arando poesia em cima de um tractor




Não é um poema detractor
este
que alinhavo em dia de Sol
de vento
e de livre pensamento

É um poema agro que lavro
montado agora num tractor
ruidoso motor
pachorrento
força mecânica pura
que se arrasta na planura
rasgando o chão
e revolvendo o húmus
ainda húmido
da chuvada recente

Mais alto fala porém
a minha mente
que tem a boca ao pé do coração
embora eu duvide
que seja ouvida
por alguém

Esgaravato o pão
que me custa os olhos da cara
assim amassado com petróleo
e suor do rosto
sugados pelo pesado motor de explosão
do nascer ao sol-posto

Porque é insaciável a ganância do machucho saudita
do insano venezuelano
do corrupto angolano
 (Que vão todos p`ro catano!)

E da adstrita corrupção maldita
que explora, mata e fere por toda a parte
na Europa, no Brasil ou no Iraque
e põe os povos de rastos
e a morrer à fome
que nem ratos

Enquanto meia dúzia se banham em piscinas de alabastro
e se afogam em toda a sorte
de insaciáveis vícios e luxos
a que só porá termo a morte

Por agora apenas vejo poeira à minha roda
no ermo
e pássaros a esgaravatar a terra
à procure de vermes

As estrelas aparecerão mais tarde
no céu esmeralda
quando o dia cair
e a noite se levantar
com a Lua fugidia
a fugir
sobre a serra

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Amor, o nosso Deus




Deus é Amor!
Lê-se em todos os Livros Sagrados
dizem-no todos os grandes profetas
e místicos consagrados de todas as religiões
proclamam-no fiéis de todas as convicções
em seus cânticos de glória e louvor

Pois seja!
Façamos então do Amor
… o nosso Deus!

Judeus e gentios
cristãos de todas as confissões
islâmicos e budistas
cátaros e hinduístas
espiritistas e mações
gente de toda a cor
a todos une o Deus Amor

Mesmo aqueles que em Deus
não acreditam
ao Amor não deixarão de dar crédito
por certo

Pratiquemos portanto o Bem
no dia-a-dia
quando trabalhamos
amamos
ou escrevemos poesia

E sempre que alguém nasce
e nos enche de alegria
ou morre alguém e nos diz adeus
deixemos que o Amor nos inunde
e comande
façamos do Amor o nosso Deus