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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Apalpando a alma




Afago a cabeça

Mimoseio-me
numa tentativa de me encontrar
mas não me encontro
nem é a mim que tacteio

Não me enxergo
no crânio escalvado
acabado de sair do barbeiro

Mas sinto uma sensação
suprema
que me percorre o corpo inteiro
me pacifica
e me acalma o coração
embora esprema
a Razão

Transfiro-me para as cabeças dos dedos das mãos
com que apalpo a caixa craniana
em que se aloja o encéfalo

Sinto-me
no curto-circuito que se estabelece
entre a pele dos dedos
e a Mente
sucedânea

E dá-me prazer ficar assim
por momentos
a andar à roda
atrás de mim
como pescadinha de rabo na boca
de olhos vendados
a jogar comigo
à cabra-cega

Que melhor prova posso querer
da existência de mim
se é a minha alma
que a si própria
se apalpa?!

3 comentários:

  1. Profundo, existencial, humanamente poético. Parabéns Henrique Pedro!

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  2. parabéns poeta... muito bom mesmo, abraços

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  3. Adorei isso! Você interligando a poesia com a ciência,mostrando que somos mais que um coração... beijos poeta!

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