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sábado, 8 de junho de 2013

Vou pôr a boca no trombone



Amanhã
vou fazer tudo ao contrário
andar de trás para a frente
voltar os retractos de pernas para o ar

Vou tocar os sinos no campanário
pôr a boca no trombone
desligar o telefone

Vou sorrir a quem nunca me sorriu
deitar a língua de fora ao Papa
mostrar o rabo à Rainha
chamar demente ao Presidente
alegrar os funerais
com bandas marciais
e mandar a crise para a puta que a pariu

Vou chamar os poetas de patetas
deixar de escrever poesia
por de lado a gramática
e viciar os cálculos de matemática

Amanhã
vou voltar à infância
comportar-me como criança
correr
saltar
viver a vida com alegria
usar peruca
deixar crescer barba e bigode

Amanhã
vou fazer tudo ao contrário

Dizem que é a melhor forma de precaver
no mínimo até morrer

a doença de Alzheimer

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