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sexta-feira, 5 de julho de 2013

A destempo no tempo da eira



Gerou-se vento
a destempo
no tempo
da eira

Que levantou palha
e poeira
lhe agitou a saia de cambraia
e lhe soltou a cabeleira

Liberta-se malsão
um putativo pensamento
sem siso
nem tino
no pino do Verão

Um desejo

A ideia
de um beijo
que serpenteia
qual pulverinho
de euforia
no coração

Lança-se em correria louca
de alegria
para detrás do palheiro

Não tarda ouve-se um grito
aflito
um esgar
de aflição
de mulher desflorada
sua triste nova condição

O choro soluçado
pelo amor primeiro
que se foi embora
feito folha solta
e já não volta
mais

Um queixume prolongado
agora

Ais
de mãe solteira
a varrer a eira
rodeada da filharada

de muitos pais

3 comentários:

  1. Ôi Pedro, mas quanta "ciência exata", só para acabar-se em Poesia, a ciência mais inexata de que se tem notícia !! Meu abraço. Antonio Cabral Filho # http://letrastaquarenses.blogspot.com.br

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  2. DESEJOS DE BOM FIM DE SEMANA HENRIQUE!

    ESSE DESTEMPERO ATÉ QUE COMEÇOU POETICAMENTE ROMÂNTICO,BONITO,ESVOAÇANTE,QUE O RESULTADO DOESSE... NORMAL!
    MAS... ACABA TRISTE!!!

    PARABÉNS PELA SUA POÉTICA HISTÓRIA!!!

    LÍDIA

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  3. Muito bem conseguido o seu poema, termina com o resultado dos devaneios em vento quente de verão.
    Gostei muito
    Votos de bom domingo

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