Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se.

sábado, 30 de novembro de 2013

Olho-me nos olhos



Vejo-me ao espelho
olho-me nos olhos

Vejo alguém que não sou eu
que não conheço
e que me espanta

Não é o meu eu interior
poético ou lírico
que vive de amor
que ali se reflecte

É um crâneo calvo
um rosto rugado
um olhar cismado
que nada me dizem de mim

E eu
a toda a hora me olho
e me vejo por dentro
faça sol, chuva ou vento
noite e dia
a dormir ou acordado
em tristeza ou alegria

E sempre me vejo
com verdade
embora envolto em sonho
e ansiedade

Fico
por isso
espantado

por ver-me assim retratado

Sem comentários:

Enviar um comentário