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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Afinal as fadas existem




Esta estória sucedeu já no Inverno passado
mas só agora achei o momento asado
para a contar

Vestia a minha soberana samarra transmontana
e o boné
que uso quando o mau tempo acomete
assim como apareço em fotos difundidas pela net
pelo que não seria difícil alguém me referenciar

Sentado à mesa de um café
a tomar o pequeno-almoço
embora só estando presente até ao pescoço
a minha cabeça não estava ali
tanto que de nada nem me apercebi

De olhar fixo num ponto dentro de mim
embora sem nada ver
dentro e fora
o meu espírito vogava
e pensava
que a vida é um desencanto

Tanta coisa linda
em que acreditamos quando criança
e nos inunda de esperança
que até nos causa espanto
mas que depois concluímos não existirem
e que nos são contadas só para nos iludirem

É o Pai Natal
o Menino Jesus
as fadas
as musas
a democracia
o mítico Portugal
as moiras encantadas
as bruxas
e mesmo as palavras esdrúxulas.
Tudo fantasia!

Quanto a bruxas,
Ah!
Sei que continua a haver quem diga
que não acredita
mas que as há,
Há!
Mas isso é outra cantiga

Estava eu nestas tergiversações supra reais
quando senti algo
ou alguém
tocar-me ao de leve
muito suavemente
no ombro
para meu assombro
já que não esperava ninguém

Seria gente?
Uma fada?
Uma bruxa?
Uma musa?
Um pingo de chuva?
Talvez fosse alguma palavra esdrúxula
que com o Acordo Ortográfico andam disparatadas
já que são agora acentuadas
ora de grave ora de circunflexo.
Pensei.

Não liguei de imediato
mas ao segundo toque despertei,
perplexo

Não era a chuva
uma bruxa
nem uma palavra esdrúxula
que essas não tocam assim

Era uma fada verdadeira
de carne osso
perfumada
de cara iluminada
pelo olhar
e que usou o sorriso sedutor
como varinha de condão
para me tocar o coração

E me falou
para me dizer
que me adorava ler
mas que achava os poetas pouco fiáveis
porque não sabem guardar segredos

Todos os amores e medos
grandezas e fraquezas
que alguém cai na asneira
mesmo se por brincadeira
de com um poeta partilhar
é sabido que vão parar à net
e a todo o Universo
ir-se-ão espalhar
em verso
embora nem sempre se saiba
a quem o poema remete

Por isso ela ali me aparecia
para com a sua fantasia
tornar credível
a minha poesia

Mas que tinha a certeza
que eu lhe iria dar razão
já no próximo poema
versando este tema

Tocou-me o coração
respondeu afirmativamente ao meu convite
de “aparece quando quiseres”
e desapareceu
deixando-me no limite
em alvoroço

Afinal as fadas existem
e são de carne e osso

Perfumadas
radiosas
amorosas

Assim como mulheres!

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