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domingo, 20 de janeiro de 2013

Uma chávena de angústia




Entrou de mansinho
surgida da rua
vestida de lua
e sentou-se na mesa ao lado da minha
vida

Pediu uma chávena de porcelana
imaculada
vazia
de nada

Que encheu de angústia
adoçou com amargura
e mexeu
com a colher
da poesia
por entre vapores de Baco
e baforadas de tabaco

Depois despediu-se
sem alegria

Quando eu já bebia
de pé
a minha chávena de café
e de ansiedade

Remexeu
comigo
aquela mulher

Tanto que a impressão carmim
dos seus lábios
rubros de sensualidade
no bordo da chávena de porcelana
imaculada
permanece indelével
dentro de mim