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terça-feira, 5 de março de 2013

Trópicos do amor




Nas terras a norte do trópico de Câncer
Como nas terras a sul do trópico de Capricórnio
Em que as quatro estações do ano são bem claras e demarcadas
Quando a Primavera explode em luz, cor e som
Plantas, animais e humanos, transpiram sexualidade por todo o lado
Por cada poro, de todo o jeito e trejeito
No palpitar amoroso de cada aurícula e ventrículo

São as borboletas que voam leves, levadas pela brisa do amor
As aves que que abertamente entoam gorjeios de sedução
As abelhas que poisam de flor em flor
(Oh, sublime tentação!)
E acabam mesmo por engravidar as flores
Como mais tarde se verá pelo Outono
Quando as romãs sorrirem despudoradas
E os ouriços arreganharem os dentes aculeados
Para com dor se libertarem das crias, castanhas

Entre os trópicos, na chamada Zona Equatorial
Úbere da mais exuberante biodiversidade
Ali onde o Equador marca a linha de maior gravidez da Terra Mãe
Num sufoco de calor, humidade e sexo aberto
Tudo está permanente prenhe de cio, em sexo emergente
Por isso o amor não é aí tão passionalmente ardente

Mas…
Para lá do trópico de Capricórnio e para cá do trópico de Câncer
Nas terras em que há Primavera
E se metem o Verão, o Outono e o Inverno de permeio
O amor é mais passional e impetuoso
E talvez por isso mais dissimulado e decoroso
Apenas explícito na estação própria para o namoro e o galanteio

Os campos revestem-se, de propósito
De tapetes verdes, maculados de flores
Perfuma-se o ambiente de aromas afrodisíacos
Os riachos murmuram cascatas de deleite
E os adolescentes correm soltos, de mãos dadas
Leves e livres na primavera da puberdade

E poderá mesmo acontecer, então, o primeiro beijo
E, quem sabe?
O grito agridoce da perda de virgindade
Que é clamor de prazer e dor, independência e liberdade

É também pela Primavera
Nas terras para cá e para lá dos trópicos
Que milhares de borboletas e mariposas
Que hibernaram durante o longo Inverno
E toda a classe de ventos e pólenes
Lançam maior quantidade de feromonas no ar
E nos leitos dos casais
Mil apelos de acasalamento dentro e fora do matrimónio
Embora os filhos apareçam por todos os meses zodiacais
Já não fruto do sonho ou da paixão
Mas obras do acaso e da ambição

E assim é, até que no inverno da vida
A arte de amar se envolve em lençóis mais espirituais

E assim rodam Terra, animais, plantas e humanos
Todos em torno do Sol
Tudo movido por uma força maior:
- O Amor

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