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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Florilégio




A rosa

Tinha rosas no cabelo
por desvelo
na face
por disfarce
no ventre
porque sente
e no seio
por receio

E uma rosa maior no coração
que brilhava rubra
aculeada

Deu-me prazer
e fez sofrer
a malvada

Rosa, mulher, paixão

A malmequer

A delicada
flor malmequer
desfolhei
em minha mão
alternando mal com bem
me quer
ao ritmo do bater
do coração

Só eu amei
porém

E mesmo depois de desfolhada
continuei sem saber
se era bem ou mal
o seu querer

Malmequer, mulher, indefinição

A camélia

Na camélia aveludada
mergulhei de corpo e alma
lavada
inebriado de conforto
no horto do prazer
quase sem querer
até que murchou
com igual calma

Nada restou
de verdade

Camélia, mulher, futilidade


A papoila

A papoila era louca
rubra
frágil
ágil
descuidada
perfumada de nada

Enrubescia o próprio vento
e quem com ela se cruzava
descuidado
no descampado
da vida
mundo do mau pensamento

Papoila, mulher, indevida

A Açucena

Na alvura
pura
da açucena
rezando a santa novena
havia espiritualidade

Amei-a
e sinto saudade

Fiquei sem saber
com muita pena
se era mulher de verdade

Açucena, mulher, castidade


A Tulipa

Olha-me de longe
com olhar distante
convencida
fechada

Sorri
pedante

Dela não me aproximo
sequer
não é flor de amor
tão pouco amante

Tulipa, mulher, vamp


A Flor de Cerejeira

Uma cerejeira enxertei
e amei como nunca ninguém
amei

E depois que a cerejeira amada
entumescida
floriu em flor
numa manhã de Primavera
alva
rosada
polida
de raios de sol irisada
saíram cerejas lindas
produto de tanto amor

Flor de Cerejeira, mulher, mãe