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sábado, 4 de maio de 2013

À hora a que os ceifeiros dormiam a sesta




Vou permanecer por aqui, por agora
em espera paciente do dia em que irei renascer
postado neste meu calmo cais cósmico
natureza adoçada em ondas suaves de colinas
sobrevoadas por nuvens, no azul cerúleo
e por aves em revoada
que arrulham seus cantares de Primavera
desde o nascer ao sol por, em divinas rotinas
de amor

Tudo observo e sorvo de alma calada

Ainda não é a hora do crepúsculo
o sol mediurno ainda vai alto e queima

É a hora a que os ceifeiros dormiam a sesta
descansando da longa e penosa madrugada

Assim desejaria eu viver para sempre
fazendo do presente um eterno devir
malgrado os ventos desta angústia estranha
de um dia ter que partir
tenha eu, para tanto, coragem tamanha

Há já uma eternidade que espero
sem saber bem porque assim vivo
neste espaço-tempo feito de espuma
e de bruma

Mas esperarei mais outra eternidade
se necessário for
porque não duvido do Amor
acredito em Deus
e estou certo de ser eterno

E nunca digo adeus
a ninguém
nem a coisa nenhuma