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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Em mim não acredito e de Deus desconfio





O Cosmos de meu avô João
era toda a terra em que à luz das estrelas
semeava pão

O meu
é todo o espaço-tempo
em que planto poemas
eivados de dilemas
e de contrição

Cosmos infinito
mas pequenino
o meu!

Do tamanho do silêncio
indiferente
de Deus

Magistério de mistério
que professo como monge
porfiando poesia

A gritar poemas sem tino
e a acenar
a acenar
na esperança de que alguém
me virá salvar

Se é que não ando a deitar
tudo a perder

Em mim não acredito
e de Deus desconfio
que só Ele
me poderá valer