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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Arando poesia em cima de um tractor




Não é um poema detractor
este
que alinhavo em dia de Sol
de vento
e de livre pensamento

É um poema agro que lavro
montado agora num tractor
ruidoso motor
pachorrento
força mecânica pura
que se arrasta na planura
rasgando o chão
e revolvendo o húmus
ainda húmido
da chuvada recente

Mais alto fala porém
a minha mente
que tem a boca ao pé do coração
embora eu duvide
que seja ouvida
por alguém

Esgaravato o pão
que me custa os olhos da cara
assim amassado com petróleo
e suor do rosto
sugados pelo pesado motor de explosão
do nascer ao sol-posto

Porque é insaciável a ganância do machucho saudita
do insano venezuelano
do corrupto angolano
 (Que vão todos p`ro catano!)

E da adstrita corrupção maldita
que explora, mata e fere por toda a parte
na Europa, no Brasil ou no Iraque
e põe os povos de rastos
e a morrer à fome
que nem ratos

Enquanto meia dúzia se banham em piscinas de alabastro
e se afogam em toda a sorte
de insaciáveis vícios e luxos
a que só porá termo a morte

Por agora apenas vejo poeira à minha roda
no ermo
e pássaros a esgaravatar a terra
à procure de vermes

As estrelas aparecerão mais tarde
no céu esmeralda
quando o dia cair
e a noite se levantar
com a Lua fugidia
a fugir
sobre a serra