Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Feliz Ano Novo.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Esta democracia é uma cabra



Este poema é um terramoto
com epicentro no mais fundo do ser
português
nas fossas de Mindanau da alma
pátria

É um maremoto
uma escalada do Monte Evereste gelado
uma travessia do deserto do Sahara
um tsunami de angústia
um polvorinho de raiva e revolta

É o uivar do lobo esfomeado
o escoicinhar de cavalo capado
o relinchar de égua no cio
mio de mil gatos
par de sapatos
gastos

Este poema é a frustração
de quem sofre com a Nação
assim destroçada
traída
sem saída
abandonada

Este poema é um despertador
de dor
um alertar do Povo
a gritar-lhe que não deve deixar-se iludir
mais
por demais que o Regime
o mime
de novo
com promessas e patranhas

Porque esta Democracia é uma cabra
uma cobra aninhada no seio da Nação
uma ninhada de ratos
a devorar-lhe as entranhas
e o coração

Já nada sobra
só ilusão!

Esta Democracia é rotunda
redonda
sem ponta por onde se lhe pegue
uma filha da mãe
que paga a quem não deve
e rouba a quem nada tem

É uma arreata
que zurze e ata os cidadãos à nora
pela rédea

É uma tragicomédia
insensata
uma pilhéria
uma gargalhada sonora

prenúncio de revolução