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domingo, 23 de junho de 2013

A mal amada




Sempre que ela
comigo
e eu com ela
me cruzava

A silenciosa sedução da sua formosura
a sua feminina graciosidade
eram promessas de inexcedível amante
de arrepiar

Inicialmente
parecia ser por acaso
que nos encontrávamos
mas passaria a ser de propósito
quando uma molécula do seu perfume me tocou
e um raio de luz de piedade do meu olhar
a penetrou

Porque percebi um pedido de socorro
silencioso
angustiado
na tristeza fascinante
do seu olhar de mulher sofrida
mal amada
embora tudo tivesse de sobra
para ser idolatrada

Mas também era uma mulher apaixonada
amarrada à ideia de lealdade
embora fosse repudiada

Acabámos a dar e a soltar
as mãos
a falar com verdade
como se fôramos irmãos

Passou a ser mais apreciada
e prosseguiu apaixonada

Restou uma eterna
doce

e cúmplice amizade