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terça-feira, 24 de setembro de 2013

PARIS



Tudo era belo, doce e sem preço
em Paris
como o seu próprio nome
homónimo da cidade Luz
induz
e diz

Desde as pontas dos cabelos negros
sedosos
asseados
aos dedos dos pés
pequeninos
divinos
divinamente torneados

Parecia talhada em mármore vivo
de pele macia
leitosa
mas era mulher fogosa
delicada
vivida
apetecida

Tinha peito ebúrneo
coxas roliças
lábios carmim
os olhos iluminados de luz etérea
e a sua fala mansa
estérea
ecoava nos meus ouvidos
como se não tivesse fim

Por isso eu estranhava
que Paris
me não fizesse qualquer exigência
que me não colocasse um preço
tal a mercadoria em apreço

Talvez por isso
também eu a Paris me não prendia
e apenas pretendia
participar daquela amorosa experiência

Paris apenas me pedia
insistente como quem roga
que descobrisse o seu ponto G
então tanto em voga

E eu paciente
já se vê
sem demora
passava horas a fio
a tocar de toda a forma e feitio
todas as suas curvas e desvios
cada ponto e cada poro
todas as partes do seu corpo
expostas ou escondidas
usando todas as medidas
técnicas e artes
de toque e de sopro
os dois enlevados
de pé
sentados
ou deitados

Acabámos por descobrir
sim
por fim
sem tara nem trauma
que o ponto G de Paris
estava dentro dela
no imo da sua alma
lugar a que eu não tinha acesso
nem que a virasse a ela
e me virasse a mim
do avesso

E também acabámos por concluir
de verdade
no íntimo do nosso coração
que apenas o Amor poderá vencer
a força da gravidade
e anular a inércia da paixão
que sempre acaba por nos perder

in "Mulheres de Amor Inventadas"