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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Dois modos de amar com música



Há mulheres que eu prefiro amar com suavidade
fazer amor com elas com inteira delicadeza
deliciar-me com os seus corpos harmoniosos e belos
envolvendo-me com elas nas ondas da Finlândia de Sibelius
e deixar que As Quatro Estações de Vilvaldi
se concertem em nós
numa única e eterna Primavera

Sentir que elas sentem tanto prazer quanto eu retiro delas
com os melíficos eflúvios finais dos quatros sentidos
a libertarem-se em mil fantasias espirituais
sem grandes “uis” ou “ais

Outras prefiro amá-las como cadelas
com força, raiva e determinação
em permanente luta de prazer
com a ideia de me satisfazer
mais a mim
que a elas

Qual rapsódia de luxúria viva e alegre como o Bolero de Ravel
até eclodir na explosão final da Nona Sinfonia de Beethoven
como se fora a dança do destino fatal a bater à porta
com raios e relâmpagos saltando entre o meu corpo e o delas
em triunfo vigoroso do viço e da pujança animal

Mas fiquem sabendo
porém:
nunca lhes perguntei qual a preferência delas

E notem bem:
jamais serei capaz, tanto quanto que sei
de fazer amor

sem amar alguém