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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Quando a minha alma se ausenta para viajar



Há momentos em que nada sinto a doer
nenhuma espécie de dor
nem frio nem calor
nenhum desejo
nenhum motivo de prazer
nenhuma angústia
nenhuma ansiedade
nem antevejo nenhuma contrariedade

Momentos em que a minha proverbial amargura
anda fora
pela rua
e eu desisto de encontrar a verdade

Momentos em que a minha indiferença é tamanha
que me chega a parecer estranha

Que será que aconteceu?
Que estará para acontecer?
Não sei nem quero saber

A envelhecer ando desde que nasci
morrer ainda não morri
e a vida até me sorri

Talvez seja isso mesmo
isso tudo
nada de isso
ou não seja coisa nenhuma

Talvez seja só espuma de poesia
nem tristeza nem alegria
pura fantasia
sem os habituais dilemas

Talvez seja só a minha alma
que se ausenta para viajar
mas deixa a consciência em “stand by”

E como nada entra ou sai
do coração
a razão põe-se a regurgitar poemas


Quando l’anima mia si assenta per viaggiare

(Tradução para italiano por Manuela Romano)

Ci son momenti in cui nulla mi duole
nessuna specie di dolore
né freddo né calore
nessun desiderio
nessun motivo di piacere
nessuna angustia
nessuna ansietà
né prevedo nessuna contrarietà

Momenti in cui la mia proverbiale amarezza
se ne va
per la via
e io rinuncio a trovare la verità

Momenti in cui la mia indifferenza è così enorme
che giunge ad apparirmi abnorme 

Che mai sarà accaduto?
Che starà per accadere?
Non so né lo voglio sapere

Ad invecchiare mi avvio da che son nato
morire ancora non son morto
e la vita fin qui mi ha sorriso

Sarà forse proprio questo
tutto questo
niente di questo
o non è niente del tutto

Sarà forse solo schiuma di poesia
né tristezza né allegria 
pura fantasia
senza i soliti dilemmi

Sarà forse solo la mia anima
che si assenta per viaggiare
ma lascia la coscienza in “stand by”

E siccome nulla entra o esce
dal cuore

la ragione si mette a riversar poemi