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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Sou filho do Sol e de Gaia


 

 

Alguém
fora do espaço e do tempo
me surpreende a lamber as feridas
do último combate dentro de mim
e me pergunta quem sou

Sou filho do Sol e de Gaia
minha bem amada mãe

Vivo do seu ar e da sua água
de angústia apresada
e de sonhos de cambraia

Moro na Lua
que iluminada
estua
ainda não sei quando me vou embora

E componho melodias de pensamento
que tanjo com o coração
e espalho no vento

Versos de amor e amizade
poemas de verdade
gritos de razão

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O universo pouco maior é que um verso


 

 

 
A vida é frustração
o cosmos caos
e o universo
pouco maior é que  um verso

O amor é uma flor
e a Terra
dizem
um paraíso perdido

Dor
é aberração
e sofrer
não tem sentido

Eu
vagabundo
apesar do muito que já vivi
amei
e sofri
continuo sem me entender

Nem a mim
nem ao mundo

 

Forçoso é viver

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Palavras escritas com a tinta do coração



Escrevi umas tantas palavras
escritas
com a tinta do coração

Que verti
em taça de cristal
à hora do meio-dia
quando o Sol está mais vertical
tal a paixão que em mim
ardia

Enchi esse vaso cristalino
de luar
que era o meu desejo de a amar

Julgou ela que era perfume
que eu lhe oferecia

Aspirou-lhe o aroma
tomou-lhe o sabor
sem se aperceber
que era um filtro de amor
que a incendiava do lume divino
da paixão sem contrição

Verti
por fim
mais e mais palavras de poesia
e de alegria
no rio do destino

E assim a seduzi
a ela
e me redimi
a mim

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Encantamento d’alma


 
Este encantamento d’alma
de caminhar ao luar
noite adentro
de me firmar
no Firmamento

De ouvir o espírito segredar-me coisas
que o cérebro ouve
mas não entende
nem é capaz de codificar em palavras
explícitas

Coisas que não cabem neste mundo
nem mesmo no universo perceptível

Este prazer corporal
de exercitar e relaxar os músculos
caminhando
enquanto o cérebro rumina
em surdina
limitado à lógica aristotélica

Enquanto o espírito voga iluminado de alegria
pelo Cosmos sem fim
saltitando de universo
em universo

Este encantamento d’alma
é a práxis poética
pura

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Este meu canto é um pranto


 

Já me dói o peito
deste jeito de cantar

Este meu canto é um pranto
que canto
para me olvidar

Daquela vez que sorri
sem saber o que fazia
tão pouco que me perdia
porque de amor me prendia

Agora, sim, sei
que me perdi
muito embora ainda assim
continue a cantar
este meu canto
que é um pranto
de verdade

Não por gosto de penar
ou por gozo de sofrer
deste amor que é dor
tão só para esquecer
esta sofrida saudade