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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Entre a minha aldeia e o Rio de Janeiro



Tenho vindo a procurar
na poesia dos poetas cariocas
para eventuais trocas
de ar e de lugar
parecenças e diferenças
entre a minha aldeia
e a cidade do Rio
e sorrio
porque
na minha ideia
só encontro semelhanças

Embora nos céus do Rio haja arranha-céus
mais altos que as estrelas
enquanto no céu da minha aldeia há estrelas tão baixinhas
que lhe podemos chegar com a mão

Embora o Rio seja banhado por um mar
de insanidade
por um certo ar
malsão
enquanto na minha santa terrinha
corre um riozinho de espiritualidade

Embora o Cristo Redentor
seja maior e mais vistoso
que o amoroso Senhor dos Aflitos
venerado no alto da Serrinha
pelos corações mais contritos

Embora lá no Rio
as mulheres se dispam ao Sol
e na minha aldeia só se dispam à Lua
ainda que nem outras nem umas
nos mostrem as almas nuas

É por isso que sou de ideia
que devemos amar as mulheres
em primeiro que tudo
no Rio
ou na minha aldeia

Embora nunca devamos adorar nada
nem ninguém
muito menos mitos

e políticos
que são falsos
e fugazes