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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Quereria ser eu a ler os meus poemas



Quereria ser eu a ler os meus poemas
uma só vez que fosse
se tal possível fosse
para melhor sentir o travo agridoce
de não ter escrito o que queria
escrever

Abrir o livro
ou a página da internet
e deparar com eles sem os conhecer

Sentir o efeito de surpresa
melhor avaliar o seu peso
e a sua leveza
a sua verdade
e originalidade
e poder rever-me neles
com se num espelho me reflectisse
ou numa fotografia me retratasse

Ou talvez não
quem sabe se com eles deparasse
sem os conhecer
nem sequer me desse
para os ler

Pura imaginação
aos meu poemas sempre os escrevo
e reescrevo
leio
e releio
e neles me enleio
com o coração

Os meus poemas são tudo que sou
ninguém mais os poderá escrever

que não eu