Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Feliz Ano Novo.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Quem sou, não sei, nem sou






Sou
isso sei
fogo-fátuo
fagulha a cruzar o céu da vida
e do mundo
por entre miríades de estrelas

Um grão de areia perdido no areal
de uma praia sem fim sem ser eterna

Uma bolha de ar que rebenta
na espuma efémera
quando as ondas do mar deixam de bater
as arribas
ou os desejos de amar arrefecem

Uma folha que vicejou
e acabou por tombar
amarelenta
levada no vendaval
por entre milhares de folhas iguais
e que o jardineiro a arrasta para o monturo
pelo Outono

Sei que não viverei sempre
ainda assim vivo para sempre

Sem limites
porque o meu limite
está além do Universo
do verso do sentir
do reverso do devir
da razão do dever
e do ter que ser

Quem sou
não sei

nem sou