Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Feliz Ano Novo.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Esta crónica angústia



em mim
uma angústia crónica
que não tem a ver com sucessos
ou derrotas
amores contrariados
saldos bancários deficitários
com a crise instalada
ou qualquer glândula avariada

É uma angústia telúrica
que a terra
exala

É hálito podre
dos monturos de dejectos
do carvão e do petróleo
do alcatrão das estradas
dos escapes dos motores
da borracha e do óleo
da tirania dos ditadores
dos políticos impostores

em mim
uma amargura emergente
um aperto de coração
que tem a ver com a política
com o rumo da civilização

É uma amargura a um tempo cósmica
e telúrica
a dizer-me que assim
não vamos a lado nenhum
que nem valerá a pena
ousar conquistar o Espaço

Amargura telúrica
vinda do fundo da Terra
angústia cósmica
crónica
vinda dos confins do Universo
que se fundem em mim
como se estivessem à minha espera

Que me levam à contemplação das estrelas
no silêncio da noite

A refugiar-me nos templos
em oração
a procurar refúgio na Eternidade

Porque indiciam a agonia da Terra

o fim da Humanidade