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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Qual o destino dos sentimentos?



Qual o destino dos sentimentos
sobretudo dos afectos mais fortes
dos maiores amores
ódios
rancores
sobretudo daqueles que não dirimimos
e nos fazem andar dias e dias a sofrer
noites e noites sem dormir?

Acontece-lhes o mesmo que às pétalas inúteis das flores
que empalidecem até secar
com o perfume a diluir-se até deixar de ser aroma
e pés e espinhos a apodrecer
até deixarem de magoar
e de fazer sofrer

Mas não são lançados à terra
nem se transformam em húmus
não se reciclam em novas flores
em novas pétalas
novos espinhos
novos ódios
novos rancores
novos amores
novos perfumes

Convertem-se em inócuas lembranças
que o tempo lentamente faz atenuar
até acabarem por entrar em torpor
e definitivamente
se esquecer

Para que o espírito se possa
revelar
em amor
o destino dos sentimentos é se desvanecer

até morrer