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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nada, ninguém e mais alguém


 
 

Poderá ser só oxigénio
e vapor de água
pairando etéreos sobre as colinas
arroteadas
em que medram videiras
rejuvenescidas
oliveiras prateadas
amendoeiras floridas no alvor da Primavera

Poderá ser só o suor
que o corpo transpira
e se evapora em diáfana nebulosidade
que reflecte e refracta com verdade
o vapor de amor
que do espírito se evola
e se transmuta em telúrica alegria

Poderá ser só o ar
que espírito respira
e pelos pulmões expele
condensado em bafo de poesia

Poderá ser só tudo isso
tudo que o poeta só
almeja

Vapor de amor e de água
também
nada que se veja

Mágoa de alguma alma enamorada
submersa na poética neblina
aspergida por aí
e por além

Poderá ser só nada
só ninguém
e mais alguém

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A vida é um rio e a morte o mar


 


A vida é um rio
e a morte é o mar
vazio

Rio de fantasia
a correr sem parar
de montante para jusante
e por aí
adiante

Rio de agonia
que corre
veloz
do nascimento para a foz
onde se morre

Para nenhum outro tempo
nenhum outro lugar
e nós no meio das águas
a ver as margens passar
só mesmo com poesia
ousamos nele navegar

Ao sabor da sorte
tentando não nos afogar
embora certo seja
a morte

A vida é um rio
e a morte é o mar
vazio
onde a alma almeja
velejar

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Andam aviões a lavrar o ar


 

 

Ruidosos
raiventos
andam aviões a lavrar
o ar
semeando nos céus
ilusões
e ventos
sem cessar

Rasgando montanhas de nuvens
estradas de fumo
de rumo rectilíneo
tecendo com poesia
véus de utopia
e de ubiquidade

É a Humanidade a dançar
sobre a terra
e sobre o mar
a dança contradança
da verdade

Viagens de paz
de guerra
de saudade
tanto faz

Quem sabe quando
e aonde
se irá parar?