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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Clepsidra


 
Pinga
pinga
vai pingando
pingos de amor
de alegria
de dor
pura amargura
nostalgia
saudade
despudor

Chama-se poesia
esta clepsidra
que marca o meu dia-a-dia

É a medida do meu tempo

É vento da vida a soprar
toque de realejo
vontade-desejo
de amar

Fluem afectos
ideias
grãos de areias
sonhos despertos
pedaços do Universo
formatados em verso
à medida que a vida
se esvai

E pingo a pingo
um oceano de fantasia
sem fundura
se vai formando
de verdade

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Para uma poetisa de Entre Douro e Minho


 

Pergunta-me qual o caminho
da verdade
uma poetisa amiga
de Entre Douro e Minho

É o da poesia
que leva a toda a parte
sem levar a lado nenhum
sendo certo que a algum lado leva

Embora a verdade não exista em lado algum
e cada um
tenha a sua própria
convicção

Poesia que é uma espécie de amor
que existe em todo o lado

Por isso o insulto e a cobardia
jamais serão poesia

E a palavra obscena
que mina
e contamina
a amizade
nunca será poesia ou verdade
tão pouco dilema
antes obscenidade

Por isso por aqui
Entre Douro e Minho
está demarcado o espaço
traçado o destino
de quem como nós
ouve dentro de si
a voz
desse telurismo maior

o amor

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Abóboras


 


A primeira abóbora que despontou
na minha horta
neste Verão
é este poema

Que eu ofereço com alegria
aos deuses da poesia
para que jamais me falte a inspiração
para cozinhar
saborosas sopas de abóbora

Poema que é uma abóbora amarelada
rechonchuda
com um pequeno pedúnculo que o ligou à erva mãe
para se alimentar
e que agora apenas serve para se lhe pegar

Assim ninguém se atreverá a dizer
que este poema
não tem ponta por onde se lhe pegue

Até porque também tem
o coração repleto de sementes
as pevides
que depois de secas e lançadas à Terra
irão reproduzir novos poemas
com que se poderão cozinhar
novas saborosas sopas de abóbora

A primeira abóbora que despontou
na minha horta
neste Verão
é este poema que só não aplaudirá
quem não gostar de sopa de abóbora
ou não perceber pevide
de poesia