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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A partir das sete horas da manhã de amanhã


 

 

Rigorosamente a partir das sete horas da manhã
de amanhã
hora a que habitualmente me levanto
deixarei de acreditar
e de ficar à espera

Porei de parte ilusões
ambições
fantasias
arrelias
sonhos de glória
e a ideia maior de passar à História
herói ou santo

Deixarei de ter dúvidas
e de me angustiar

A partir das sete horas da manhã
de amanhã
rigorosamente
hora a que habitualmente me levanto

Limitar-me-ei a viver
a voar livre como os passarinhos
e a assobiar pelos caminhos
como quando era criança
quando ainda não sabia o que era angústia
ou esperança

A partir das sete horas da manhã
de amanhã
irei limitar-me a dar
e a receber amor
a criar alegria
a espantar a dor
sem esmorecer

Contudo
irei continuar a escrever
poesia