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domingo, 7 de junho de 2015

Auuuuu… auuuuu… auuuuu!


 


(Para a Rosinha, o Nero, o Quim, o Hulk, o Duque e o Toga)

 
Dedicado aos meus cães
seus pais e suas mães
aqui solto um triplo latido
sentido
em verso
disperso

Auuuuu… auuuuu… auuuuu!

Talvez eles preferissem que esta poesia
tivesse forma e substância
de osso
mas não duvido
que quando pressuroso
lhes assobiar este poema
com jactância
me ouvirão com atenção
abanando o rabo
sentados no chão

É certo que não o irão comentar
mas latirão de estrema alegria
quando eu terminar

Auuuuu… auuuuu… auuuuu! 

Muito tenho aprendido eu
com o meu irmão
cão
 
Encanta-me a sua afectividade
a sua lealdade
a sua disponibilidade
a sua ternura
a sua bravura
e a sua liberdade

Oh, como eu gostava de ser assim
forte e livre!

Poder como eles correr
sem tino
atrás das aves
e sem me perder
como quando menino

Dormir ao relento sem me constipar
poder fazer sexo
livremente
à vista de toda agente
sem complexo
auuuuu…
isso não…é só mesmo de cão!

Ficar enleado
com minha amada
em prolongado amplexo
e latir, latir, latir
até me fartar

Auuuuu… auuuuu… auuuuu!

Não fora o caso de ter que ter dono
de ser deixado ao abandono
ou de outra maior selvajaria
chego mesmo a pensar
se não valeria mais ser cão
que um vulgar cidadão
a quem nada adianta ladrar
na actual democracia