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sexta-feira, 12 de junho de 2015

A que horas é o funeral?


 

 

Há Domingos assim
sem nada que fazer
em que apenas vivemos
por viver
tão pouco pensamos
em morrer

São dias de manhãs enubladas
de montanhas submersas
em que o Sol se passeia pelos campos
só lá mais para a tarde

Dias em que cada um de nós
tem um percurso próprio dentro de si
e outros com os outros
e todos outros mais
pelo mundo fora

Dias em que caminho um caminho privado
num mundo meu, privativo
onde vivo livre e cativo

Mundo em que tudo gira à volta de mim
num vórtice interior demolidor
aflitivo
que varre o próprio Universo
do espaço-tempo

Quando assim é
deixo-me ficar quedo
parado
com cara de enterro
a pensar
e a esfregar o nariz

Sem me sentir triste
ou alegre
tão pouco angustiado
apenas cismado

Como quando morre alguém
que pouco ou nada me diz

A propósito:
 - A que horas é o funeral?