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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Gelo a arder



O novelo de lã apenas será meia
quando for fiado
e tecido
pela alma da tecedeira

O monte de caruma
somente será fogueira
se ateado pela chama
de quem precisar de se aquecer

A madrugada apenas será dia
quando o Sol raiar
e o presente apenas será futuro
quando houver passado que contar

O homem só será livre
liberto ou não das grades da prisão
quando se não tomar da mais leve angústia
nem sentir rancor no seu coração

O branco apenas será alvura
quando não tiver riscos de carvão
no seu coração

O preto apenas será negro
e o negro apenas será preto
quando não houver branco no seu olhar

E o viver apenas será vida
quando não houver ameaças de morte
nem sentimentos de má sorte

O emaranhado de palavras
apenas será poema
quando tiver ideia
for lido e sentido
mesmo sem ter
rima alguma

A Verdade apenas o será
se não contiver ideias obscuras

A luz será absoluta
se não for refractada por nenhum prisma
e não tiver a mais imperceptível franja de cor

A pedra de gelo
sem calor bastante para ser água
levantar fervura e ser vapor
apenas será transparente
aos olhos da gente
quando não tiver arestas

A ideia apenas será iluminação
se for gelo
a arder

Este poema é uma pedra de gelo
a arder
na imaginação

O amor apenas o é
sem condição