Seja bem vindo/a. A mesa da poesia está posta. Sirva-se. Feliz Ano Novo.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Em decúbito dorsal


Acordo
mas deixo-me ficar deitado
absorto
desperto
enlevado

Em posição de decúbito dorsal
de mãos atrás da nuca

a olhar o tecto
sem nada ver
nem sofrer
de outro mal
apenas a pensar
se dormia
porque despertei

Apenas à espera
que o despertador toque
à hora para que o regulei
antes de me deitar

Já a obscuridade do quarto
é rasgada pelos raios da aurora
já lá fora se ouvem chilreios
tomado eu dos anseios
da saudade
não sinto pressa de me levantar

E porque haveria eu
de sentir pressa de me levantar
antes do despertador
tocar?

Só porque acordei
antes da hora
para que o regulei?

É assim o amor
é assim a saudade

Um despertador
que nos desperta
sem hora certa
estejamos ou não acordados

Só com pressa de regressar

 
Mueda (Norte de Moçambique), Maio de 1973