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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nada, ninguém e mais alguém


 
 

Poderá ser só oxigénio
e vapor de água
pairando etéreos sobre as colinas
arroteadas
em que medram videiras
rejuvenescidas
oliveiras prateadas
amendoeiras floridas no alvor da Primavera

Poderá ser só o suor
que o corpo transpira
e se evapora em diáfana nebulosidade
que reflecte e refracta com verdade
o vapor de amor
que do espírito se evola
e se transmuta em telúrica alegria

Poderá ser só o ar
que espírito respira
e pelos pulmões expele
condensado em bafo de poesia

Poderá ser só tudo isso
tudo que o poeta só
almeja

Vapor de amor e de água
também
nada que se veja

Mágoa de alguma alma enamorada
submersa na poética neblina
aspergida por aí
e por além

Poderá ser só nada
só ninguém
e mais alguém