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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Só o amor não se perde se a vida se perder


 


O fogo só tem sentido
quando arde
feito chama

O tempo à medida que passa
o abraço quando se abraça
e o amor quando se ama

A vida quando vivida
com amor
por alguém

Não pára o tempo
se o relógio parar
mas perde-se o pensamento
se a razão enlouquecer

Apaga-se a paixão
se o coração
deixar de bater

Só o amor não se perde
porém
se a vida se perder

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Tacteando a eternidade na obscuridade


 

Momento de abulia
triste
de desencanto
solidão e resignação

Massajo o meu próprio crânio
comprimo-o
arranho-o
quase me dá vontade de o esmagar
para assim me soltar
mas mais me entranho

E sinto uma agradável sensação
entre mim e mim
entre cada dedo de cada mão e o crânio
que retém a Razão

As ideias fluem
e refluem
pelos cabelos
para os dedos
e a espaços
pelos braços
retornam à mente

Percebo de repente
que a mim me acaricio
e me delicio
a afagar o meu ego
e a pensar

E assim me tomo
de uma doce e leve sensação
de serena calma

Dou-me conta que apalpo a alma
e tacteio a Eternidade
na obscuridade

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Um raio de luz


 
 

Espraia-se o meu espírito por toda a dimensão do Cosmos
fica o corpo confinado
à Terra

A cabeça
o tronco
os membros
os olhos
os ouvidos
e demais sentidos
entrego-os à Natureza

Deixo que percorram os caminhos que lhes aprouver
sintonizados com a energia telúrica que os anima
faça sol
chuva
ou neve

Por instantes
sou eu
um ser imanente
mais etéreo que o vento

Um raio de luz
ausente
do espaço-tempo

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Sons que nos tocam por dentro


 
 


São sons sim

São silêncios
sons que tocam por dentro

São sonoridades de verdade
são sons de saudade
saltérios gregorianos
sons de espiritualidade

São sons que nos tocam por dentro

São tonalidades de verdades
timbres de afastamento

São lamentos
de alguma mãe
a sofrer

São sons doridos de sinais
silêncios de sepulcro

São chamamentos do além
de quem
aquém
não podemos esquecer

São sons do tremeluzir das estrelas
do afago doce do luar

São silêncios de pássaros
pios de pardais