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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Dou-me conta de que estou a levitar







Agora mesmo
como se não houvesse amanhã
nem tivesse havido ontem

Como se não tivesse existido a hora passada
e vivesse já uma eternidade desmemoriada
ausente do presente

Agora mesmo
sem um relevante pensamento
um apetite evidente
uma ideia emergente

Na tranquilidade absoluta
de quem não vai nem vem de nenhuma luta

Sem dar conta do tempo passar
sem um zunido sequer que me possa enervar
fora ou dentro dos ouvidos

Com todos os sentidos a funcionar esplendidamente
tanto que nem eles se dão conta de si
por nada terem que a mim me dizer

De corpo relaxado
e de espírito enlevado
de cérebro todo tomado pela consciência
e a consciência a monitorizar apenas a alma

Sem amor
sem ódio
fantasia ou contrição
tristeza ou alegria
teorema ou dilema
sem motivo de glória ou de frustração

Em puro estado de graça de poesia
de cordão umbilical bamboleante preso a este poema

Agora mesmo
dou-me conta de que estou a levitar

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